Eu acredito na força de vontade de muitas pessoas, e uma delas é José Geraldo Rivelli Magalhães, Diretor Executivo do Instituto Cenibra e também Presidente do Instituto Xopotó para o Desenvolvimento Social, Econômico e Ambiental. Em entrevista ao caderno “Eu acredito!” do Hoje em dia, Valéria Flores editora, ele descreveu bem alguns aspectos da sustentabilidade, pelo ângulo social, cultural, político e ambiental. Por isso queremos compartilhar com vocês alguns trechos da matéria em que “eu acredito!” e que pode contribuir para o “nós acreditamos e ajudamos”.

Sobre a mobilização de recursos econômicos para a área ambiental, na indústria, na agricultura e em outros setores da economia, a adoção de processos totalmente limpos e ecologicamente corretos, que preservemos recursos naturais são caros e às vezes lentos. Na visão dos empresários, como equacionar a premissa: investimento, ação e resultado?

Em primeiro lugar, não podemos colocar a questão dos investimentos na área ambiental como responsabilidade única dos empresários, e sim de todos. Por exemplo, a questão do saneamento. Quantas cidades brasileiras possuem tratamento do esgoto sanitário? Isto é responsabilidade do poder público nos três níveis de governo (municipal, estadual e federal). As indústrias, por razões legais e de certificação, que é uma ação voluntária, estão fazendo o seu dever de casa e possuem as estações de tratamento de efluentes com alto nível de tecnologia e eficiência. Não existe empresa de grande porte funcionando sem tratamento de efluentes líquidos e controle de emissões gasosas.

Resolver a equação Investimento X Ação X Resultados, é específica de cada tipo de indústria. Na Cenibra, por exemplo, no que se refere ao uso de água, no processo industrial de extração da celulose da madeira, eram necessários, quando a empresa entrou em operação, na década de 70, cerca de 600m³ de água por tonelada de celulose; Atualmente, resultado dos investimentos e mudanças de processos, gastam-se cerca de 50m³, o que tem reflexos não só econômicos mas também ambientais.

Você defende algumas idéias como: proteção do meio ambiente, em detrimento de preservaçãoe que, a sustentabilidade não estaria apenas no tripé: social, econômico e ambiental. Explique.

Preservação como sinônimo de intocabilidade deve ser observada para as unidades de conservação, ou seja, as reservas biológicas e as áreas de acesso restrito dos parques estaduais e nacionais. Proteção para mim significa uso consciente. Não posso admitir que um pequeno proprietário rural não possa usufruir, sem depredar, de material para uso no seu dia a dia. Tenho assistido, com muita freqüência, a autuação, pela polícia ambiental, do homem simples do campo por usar madeira na sua propriedade para reforma de uma cerca que protege sua roça de milho e de feijão.

Quanto à questão da sustentabilidade, venho ressaltando, nos últimos anos, e em todas as vezes que tenho sido convidado para falar da experiência da Cenibra, sobre Responsabilidade Social, que é necessária a mudança dos três pilares clássicos da sustentabilidade para quatro. De nada adianta termos sustentabilidade social, econômica e ambiental se não tivermos sustentabilidade política. No Brasil, mudam-se os governantes, especialmente a nível municipal, e paralisam-se as ações, obras e projetos, porque a alternância no poder ocorre, muitas vezes, entre adversários. A sociedade perde duplamente: os recursos e a obra, projeto ou ação.